Tag: kart

  • Empresas patrocinam projetos, não hobby

    Empresas patrocinam projetos, não hobby

    Seja no kart ou nos carros, uma boa parte dos competidores tem boa remuneração e consegue reservar parte dela para investir no esporte que tanto ama

    “Hobby
    Substantivo masculino
    Atividade exercida exclusivamente como forma de lazer, distração; passatempo.

    Oxford Languages”

    Talvez você não saiba, mas, para muitos, o automobilismo é um hobby.

    Não acredita? Então, faça esse exerício: ao assistir in loco uma corrida e visitar os boxes, analise quantos pilotos e pilotas ali investem o próprio dinheiro – ou da família – para competir.

    Seja no kart ou nos carros (principalmente os campeonatos regionais), uma boa parte faz isso. Reserva uma parte do salário, encontra uma equipe e pronto. Ou seja: têm profissão (normalmente bem remunerada), permitindo competir no esporte que amam.

    Exemplos não faltam.

    • Edu Guedes (Porsche Cup): chef de cozinha e apresentador
    • Carlos SG (Kart e dono da SG28 Racing): empresário
    • Walter Salles (competiu no extinto Brasileiro de GT): cineasta e herdeiro dos donos de um banco
    • Paulo Muzy (Porsche Cup): médico esportivo
    • Lucas Lucco (Porsche Cup): cantor
    • Rômulo Estrela (Kart): ator

    Sem contar aquelas categorias conhecidas por serem destinadas aos ditos gentlemen drivers, como a Fórmula eVolution.

    No caso de crianças e adolescentes, o que muda é a fonte. Os recursos costumam vir dos pais, de familiares ou de amigos. Muitos desses têm empresas com um bom retorno financeiro – ou empregos com uma boa remuneração.

    Situações como essa comprovam que o esporte a motor é uma forma de passatempo. E não há nada de errado nisso. Assim como existem os campeonatos amadores de skate, de futebol e por aí vai, por que seria diferente nessa modalidade?

    Não é hobby para mim”

    Sei que colocar o automobilismo e o kartismo como uma forma de se divertir pode gerar algum incômodo. Muitos querem construir uma carreira – para si ou para seus filhos ou suas filhas.

    Se esse for o seu caso, está na hora de “virar a chavinha”. Precisa parar de “pedir ajuda para seguir com sonho” e começar a trabalhar de maneira séria, com os mesmos foco e disciplina empregados nos treinos e nas corridas.

    Afinal, empresários não investem em passatempos.

    O que os patrocinadores querem

    Nesta reportagem, contei um pouco sobre isso. Se você não leu, sugiro que leia, porque tem muita dica interessante.

    Uma delas se trata sobre um dos maiores erros que pilotos (ou seus familiares) cometem quando o assunto é buscar um patrocinador: pensar apenas na exposição. Essa necessidade poderia ser nos primórdios da profissionalização do autobilismo, mas agora é muito diferente.

    Muitas empresas já estão com suas marcas consolidadas. Por isso, estampar o logo no macacão e no kart ou carro pode não ser de interesse delas.

    “Mas o que elas querem então?”, você pode se perguntar.

    Não sei, mas seguem algumas possibilidades:

    • Aumentar o número de franqueados
    • Estreitar relacionamento com fornecedores ou colaboradores
    • Aumentar o awareness (em bom português, “reconhecimento/conscientização de marca”)
    • Vender mais produtos/serviços
    • Mostrar seus produtos sendo usados em um esporte de alto rendimento

    Além destes, existem muitas outras.

    Cabe a você reservar um tempo para pesquisar mais sobre a empresa que quer negociar e descobrir o que ela precisa. Porque o patrocínio não é sobre você: é sobre o patrocinador. E muitos veem o automobilismo como uma plataforma de negócios.

    Viu por que você tem que parar de pedir ajuda para realizar seu sonho?

    Pisa fundo

    Estude sobre marketing esportivo.

    Invista seu tempo para conhecer mais a área.

    Os portais Máquina do Esporte e Poder Sports Mkt e o podcast “Patrocinei!” são ótimos pontos de partida. Caso goste de livros, tem o do Ivan Martinho. É simples, objetivo e direto.

    Ao ter esse conhecimento, você vai parar de buscar “modelos de proposta de patrocínio” no Google. Quem sabe, ao “virar a chavinha”, consiga se tornar seu sonho realidade.

  • Pare de pedir ajuda para realizar seu sonho

    Pare de pedir ajuda para realizar seu sonho

    Empresas não são instituições filantrópicas para oferecer ajuda. Todas têm metas a cumprir e patrocinar pilotos é apenas uma forma de alcançá-las.

    Volta e meia, abro o meu Instagram e vejo posts de jovens kartistas praticamente suplicando por uma chance de seguir carreira no esporte. São vaquinhas online, apelos para empresários, e por aí vai. Isso me sensibiliza, realmente.

    Primeiro, porque entendo. Eu mesmo já fiz isso quando, ainda adolescente, queria ser um piloto profissional. Na época, sem as redes sociais, pesquisava na internet por modelos de “propostas de patrocínio” e os adaptava à minha realidade.

    Deu certo? Não.

    Desisti? Sim.

    Hoje, olhando para trás, faria tudo diferente. Não pediria mais ajuda, porque sei que muitas empresas não veem isso com bons olhos. Elas não são instituições filantrópicas, que separam uma verba para auxiliar alguém e pronto. Todas têm suas metas a bater e o patrocínio é uma das formas de se alcançar esse objetivo.

    Por isso, quem pretende seguir a carreira de piloto precisa mudar a forma como busca esses investimentos. Nesta reportagem, mostramos que o retorno ao patrocinador vai além da “exposição” no macacão, no kart e nas redes sociais.

    Como disse Alex Striler, consultor de patrocínio nos EUA: “Quando encontrar um patrocinador, pense como uma pessoa de marketing que trabalha para a empresa. O que essa empresa precisa para vender seus produtos ou serviços? Se você estivesse no departamento de marketing dela, o que você faria?

    Ou seja, quem pede patrocínio precisa ser um parceiro comercial da empresa. Não deve apenas pilotar (seu sonho) ou pensar em sua carreira (seu objetivo), mas também em garantir o retorno daqueles que investiram nesse projeto.

    Porque, sim, patrocínio é investimento e investimentos devem dar retorno aos investidores. Do contrário, tchau patrocínio.

    Uma realidade dura, mas que precisa ser dita e assimilada.

    Por isso, pare de pedir ajuda para realizar seu sonho. Veja sua história nas pistas como um negócio, que é bom para você e, também, para quem se dispõe a investir em você.

    Vai dar trabalho? Sim. Mas, quem sabe, seja o ponto de virada para que o kartismo deixe de ser um hobby e se torne o seu trabalho.

  • De volta às pistas 16 anos depois

    De volta às pistas 16 anos depois

    Foram necessárias quase duas décadas de distância para que o editor do Push to Cast sentisse o prazer de andar de kart rental novamente

    Dezesseis anos, sete meses e oito dias. Este é o tempo que separa 29 de março de 2008, a última vez que havia pilotado um kart e 10 de novembro de 2024, quando acabei com esse longo hiato longe de uma das atividades que mais gosto de fazer: pilotar.

    Foram necessários 6.070 dias para que pudesse me reencontrar com esse pequeno monoposto de motor estacionário quatro tempos, envolto em uma proteção de borracha reforçada, a 218 quilômetros longe do Circuito Internacional Techspeed – então chamado de Kartódromo do Velopark, em Nova Santa Rita (RS), pais precisamente no Kartódromo Dante Roveda, em Vacaria, região Nordeste do Estado.

    Não foi por acaso.

    Desde o fim do ano passado, quando cobri a final do Campeonato Gaúcho de Kart em Venâncio Aires, no Vale do Rio Pardo, meus laços com o kartismo profissional se estreitaram. Foi lá que conheci Jean Picolotto, então gestor do Serra Kart Racing (SKR), competição de kart rental que usava as dependências do Kartódromo César Francischini, em Farroupilha, na Serra gaúcha.

    Ele me apresentou a um ícone da modalidade: Cesar Mittag, preparador de motores de kart dois tempos, criador da Mittag Motores, chefe da equipe Mittag Racing e proprietário da ProKart Indoor. Conversamos bastante sobre kart, automobilismo virtual, e outras coisas além do esporte a motor.

    Chegou 2024, o Push to Cast mudou seu foco para a cobertura do kart próprio nacional, especialmente estadual, e, com isso, veio o reconhecimento que, 8.741.460 entre o distante 29 de março de 2008 e o recente 10 de novembro de 2024, motivou a escrita deste texto.

    Pois, só quem sabe como é ficar tanto tempo sem poder fazer aquilo que ama entende o que relatarei a seguir.

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